O que vai conseguir ver
Júpiter e Saturno são alvos para começar: pode reconhecer as luas de Júpiter e os anéis de
Saturno sem procurar o equipamento de maior ampliação. O pormenor depende da abertura,
da estabilidade do apoio e do ar. Uma imagem maior, mas tremida, não mostra mais.
- Júpiter: procure as quatro luas maiores e as faixas escuras de nuvens. Nem todas as luas estarão sempre visíveis: podem passar à frente ou atrás do planeta.
- Saturno: procure o contorno dos anéis. A inclinação com que os vemos muda ao longo dos anos; a divisão escura nos anéis exige condições favoráveis, não apenas mais ampliação.
- Marte: é um alvo mais exigente. Perto da oposição, quando está próximo da Terra, o disco permite procurar regiões escuras; longe dessa fase pode continuar a parecer apenas um ponto alaranjado.
As estrelas, essas, continuam a ser pontos em qualquer telescópio. Mais abertura mostra mais
estrelas, estrelas duplas mais próximas e enxames mais ricos, não estrelas maiores. Não
espere as cores das fotografias processadas: à ocular as imagens são pequenas e mais
discretas.
As três coisas que decidem
Abertura: quanto pormenor é possível
A abertura é o diâmetro da lente ou do espelho principal. Uma abertura maior permite
distinguir pormenores mais finos quando a ótica e a atmosfera o permitem. Passar de 70 mm
para 127 mm não é apenas tornar o disco maior: aumenta o pormenor que pode procurar. Em
troca, o conjunto pode exigir mais espaço, transporte e preparação.
Distância focal: ampliação com oculares normais
A ampliação é a distância focal do telescópio dividida pela da ocular. Com uma ocular de
10 mm, um tubo de 700 mm dá 70x e um de 1500 mm dá 150x. Num tubo curto de 400 mm, chegar a
150x pede uma ocular de menos de 3 mm ou uma lente Barlow. Uma focal longa facilita obter
essa ampliação com oculares de distância focal maior; não melhora por si só a resolução.
O conforto depende também do desenho da ocular e da distância a que se coloca o olho.
Ampliação útil: o teto prático
Cerca de duas vezes a abertura em milímetros é uma referência aproximada: 140x para 70 mm,
180x para 90 mm, 254x para 127 mm e 400x para 200 mm. Na prática, a turbulência do ar limita
a maior parte das noites a bastante menos. O guia de
escolha explica a conta, e porque os 500x ou 750x de algumas caixas não acrescentam
pormenor.
A atmosfera e o local, em Portugal
Os planetas veem-se bem mesmo na cidade, porque são brilhantes; a poluição luminosa
prejudica muito mais as galáxias e nebulosas. O ar instável prejudica a imagem:
observe com o planeta alto no céu, longe de telhados e asfalto que libertam calor, e deixe
o telescópio adaptar-se à temperatura exterior. O tempo depende do tubo e da diferença de
temperatura; não há um prazo único para todos. Comece com
ampliação baixa, foque, e só depois suba enquanto a imagem continuar nítida.
Nunca aponte o telescópio ao Sol, nem use este guia para procurar planetas de dia. A
observação solar exige equipamento próprio e procedimentos de segurança; olhar para o Sol
com um telescópio sem proteção adequada pode causar lesão permanente na visão.
Quatro instrumentos analisados
Quatro escolhas com montagem incluída, para exigências diferentes. Não testámos estes telescópios: as
diferenças vêm das especificações verificadas em cada análise, e cada análise diz a
limitação principal e três alternativas do mesmo escalão.
Qual destas opções serve a sua sessão?
Para sessões sem bateria nem alinhamento eletrónico, o Mercury e o Evostar deixam o
apontamento nas suas mãos. O Evostar acrescenta abertura, mas continua a exigir um tubo
comprido sobre tripé. Se o problema é manter o planeta no campo enquanto outra pessoa
observa, o seguimento motorizado do NexStar pode ser útil, depois do alinhamento inicial.
O Dobson de 200 mm troca essa automação por abertura: precisa de espaço e de pequenos
movimentos manuais durante a observação. Escolha pelo que consegue montar e usar com
frequência, sem esperar que um motor corrija a turbulência do ar.
A Celestron explica a relação entre abertura e tipos de alvo
e descreve a observação de Júpiter
e Saturno.
As quatro análises acima distinguem as características de cada conjunto.
A seguir
Para comparar todos os conjuntos de cada orçamento, veja os telescópios para iniciantes, intermédios e de alta gama. Para perceber o que
cada degrau de preço compra, veja quanto custa um telescópio
em Portugal.